sábado, 28 de agosto de 2010

Etapa 6 - Puente la Reina à Estella

Dia 05/07/10
Percurso= 21,8 km
Percurso acumulado= 114,7 km Início= 9h30
Término= 6h10
Duração= 9h20


Há!!! Essa dia foi muito gratificante! Conto mais abaixo...








Mal tinha me recuperado do terrível cansaço da etapa anterior, minhas pernas ainda doíam como nunca, ter caminhado mais de 10 horas sob o sol forte foi cruel, e não sei que jeito eu dei, mas meu ombro esquerdo começava a doer logo após os 5 primeiros minutos de caminhada, e essa dor foi minha companheira por todo o meu Caminho até Santiago de Compostela, bem como meu ouvido esquerdo que seguia tapado, interessante que tudo acontecia do lado esquerdo do meu corpo, de modo que comprovei pela primeira vez, nesta etapa a Estella, ter muita determinação.


Encontrar a ponte em Puente la Reina para poder sair da cidade foi um pouco difícil, pois não vimos sinalização e tivemos que perguntar às pessoas. Saindo da ponte em Puente la Reina alguns peregrinos ficam confundidos, pois há um caminho em frente a saída da ponte, mas não se vai por ele, ao sair da ponte se dobra à esquerda.







Não há mais bosques e agora é sol direto na cabeça. Saindo de Mañeru passamos por lindos vinhedos.

Cirauqui - A estrela do dia! Uma cidadezinha que fica numa colina, antigo povoado medieval, passar por suas muralhas, suas ruas nos permite imaginar como deveria ser a vida naquela época medieval.

Chegando em Cirauqui, tivemos uma agradável e inesquecível recepção na igreja de San Román construída no estilo gótico no séc. XII. Possui uma portada românica com influências orientais. Conhecemos alí a Ester, uma senhora amabilíssima, de uma voz doce e gestos de delicadeza para conosco. Ela é argentina e casou com um espanhol e está vivendo por lá. Ela toma conta da igreja e selou nossas credenciais. Depois nos agradeceu por termos ido visitar a igreja, pois ela não fica no caminho.
Ao se entrar na cidade, após subir as ruazinhas e chegar numa espécie de praça, para encontrar a igreja, você tem que subir umas escadinhas do lado direito. A igreja é rodeada por casas e ruazinhas estreitas que as separam da mesma.


San Román, antes de santo, foi um soldado romano que se converteu ao cristianismo e foi martirizado por isso.




Ao entrar na igreja caminhei até um dos bancos um pouco mais a frente e lá rezei; Ao terminar a oração olhei vagarosamente para o lado direito meio que sem esperar mais nada, e me deparei com uma imagem lindíssima de Jesus Cristo cruscificado, estava muito sensível naquele dia, caminhei até ele e chorei aos seus pés.

Nessa igreja há uma pia bastimal que tem mais de 2.000 anos. Era da época dos romanos.

Também tem uma ara romana, que foi encontrada por um camponês, que era utilizada para demarcar o caminho pelos romanos.








Após Ester explicar sobre a Ara romana, eu perguntei a ela se eu podia tocar nela, e de pronto, olhando fixadamente em meus olhos, com sua voz doce, ela me respondeu: "Aldisonia, tu puedes todo."

Não sei o porquê, mas senti ali naquela resposta algo muito mais significativo do que permissão para tocar naquela ara.

Sabe, sei lá... o Caminho vai te deixando assim... com certos sentimentos, certos amplitudes de possibilidades na tua vida.


Veja ao final o vídeo de Ester nos falando sobre a ara romana.





Ao sair de Cirauqui nos deparamos com uma calçada romana do séc. I, foi modificado na idade média mas conserva seu traçado original, por onde todas aquela figuras ilustres de nossa história passaram com seus exércitos.










Essa etapa é cheia de sobe e desce que estavam acabando com minha panturrilha, não estava aguentando de tanta dor e uma bolha, ainda que pequena... mas uma bolha, me incomodava demais. De contrapeso tinha o joanete, mas este estava tentando amenizar com o Compeed.
O joanete que doía era também do lado esquerdo.

Chegando em Estella, para chegar na centro da cidade, ainda se anda um bom pedaço, lá chegando, atravessamos a ponte para nos hospedar no albergue.

Eu não sabia ainda onde ficar e após ter atravessado a ponte, ao tentar atravessar a pista um senhor que estava acompanhando a outros peregrinos aparentemente, me perguntou se eu estava a procura de um albergue, eu disse que sim, então ele me levou até o Albergue de ANFAS (Associação Navarra a Favor das pessoas com descapacidade intelectual), excelente albergue, seu nome é Juan, ele é administrador desse albergue cujos recursos são destinados ao apoio a pessoas descapacitadas. Gentilmente carregou minha mochila até o albergue.

Albergue limpo, silencioso no horário devido, com internet e ótimos banheiros. Perfeito!
Se situa na Calle Cordeleros, 7.
Email do albergue: albergue@anfasnavarra.org

Após tomar banho e tratar de minha bolha fomos jantar. Não muito distante do albergue tem um restaurante que não me recordo o nome agora, mas foi onde comi um file a milaneza para variar dos bifes comuns com batata frita. Tivemos que nos apressar pois o restaurante parava de servir às 21h.








Veja ao final o vídeo onde mostro como tratei de minha pequena bolha.
Bolha - definição pessoal: um tipo de carimbo na credencial corporal do peregrino.
Para ver mais detalhes sobre esta etapa acesse o álbum abaixo.

Etapa 6 - Puente la Reina à Estella




domingo, 22 de agosto de 2010

Etapa 5 - Pamplona à Puente la Reina

Dia 04/07/10
Percurso= 23,5km
Percurso acumulado= 92,9 km
Início= 9h15
Término= 18h50
Duração=10h35

Essa etapa foi demorada! Acredito que de todas as etapas, esta foi a que mais tardamos para iniciar a caminhada, além de termos saído tarde, tinha a subida ao Alto del Perdón que não era a pior das subidas mas teve o seu grau de dificuldade, principalmente para a minha mãe. O cansaço do caminhar contribuiu para o ritmo lento e encarando uma subida então nem se fala!

Ao deixar Pamplona encontramos a húngara, a quem chamava de Beó, seu nome é Beáta, num banco da praça, ela estava muito mal, mas também, a mochila dela era maior que a minha! Levava jeans com cinto de fivela pesada. Sendo muito branca, estava maltratada pelo sol. Ela nos acompanhou até um ponto mas resolveu parar para descansar, disse que iria ficar em Urtega, nos despedimos e sabíamos que não nos encontraríamos mais.

Meu dedinho estava dolorido pela bolha que havia se formado mas aguentei firme.

Bem, em Pamplona, depois de rodear a Ciudadela se vai caminhando pela cidade e se atravessa um parque, logo vem o Campus da Universidade de Navarra, é uma caminhada muito gostosa por parques com pinheiros de todas as qualidades. Muito agradável! Tudo bem arborizado.


Depois se passa por amplos campos de cultivo.Também passamos por plantações de girassóis. Uma beleza! Já quase no final passamos por vinhedos.


Em Zariquiegui, um vilarejo que não se vê ninguém, há a igreja de San Andrés construída no estilo românico no séc. XIII.



Um vento forte te toca o rosto na subida ao Alto del Perdón e quando se chega lá tem que segurar o chapéu ou ele voa.







O vento é forte e gostoso de sentir, maravilhoso é olhar para o vale e ver o quanto você andou, ver ao longe os vilarejos que vão ficando no teu passado.

Por conta do forte vento construiram aqui um parque éolico que se estende por 46.000 metros quadrados sobre a Serra de Erreniega.

Aqui há um monumento ao peregrino constituído de 14 figuras peregrinas feitas de ferro. Em uma delas diz: "Donde se cruza el camino del viento con el de las estrellas".

Bem, mas tudo que se sobe, se desce não é? Aí pega o joelho!!! E bastão para que te quero bastão!!!!! Difícil!

No caminho há uma imagem de Nossa Senhora e encontramos uma oração que algum peregrino a deixou para alguém, esse alguém fomos nós, curioso que essa mesma oração que estava aos pés da santa, foi dada a mim por uma senhora na Igreja de Roncesvalles após a missa. (repare no papel engatado por detrás da placa aos pés da santa)

Achei que foi um sinal, pois muita gente já havia ido embora da igreja em Roncesvalles e eu ainda estava por lá rezando quando uma senhora após esperar o término de minha oração se aproximou de mim e a me deu.

Já esta oração aos pés da Virgem foi a minha mãe quem a pegou. Transcrevo ao final da postagem a oração que acredito que foi Deus falando comigo e com minha mãe. Forte!!!!




Antes de chegar a Puente la Reina se passa por um lugar chamado Óbanos, e lá conta-se um drama: lá há muito tempo viviam os duques de Aquitania, Felicia irmã de Guillermo, duque de Aquitania, resolveu peregrinar a Santiago de Compostela e após essa experiência que a transformou por completo, se despiu da vida de luxo que levava, e resolveu trabalhar pelos peregrinos, se tornou eremita no povoado de Amocain e dedicou sua vida a trabalho e oração em prol das pessoas, especialmente os peregrinos.

Guillermo, seu irmão, por ordem de seu pai, vai ao encontro dela para fazê-la mudar de idéia. Como ela estava irredutível, Guillermo num momento de fúria a apunhalou e a matou.

Arrependido vai até Roma pedir perdão ao Papa que o obriga a fazer o Caminho a Santiago de Compostela. Após fazer o Caminho, Guillermo resolve morar na ermita que sua irmã havia construído e continuar o seu trabalho. Viveu sua vida em constante penitênica.

Ao passar por Óbanos também se pode de lá fazer um desvio para ver a ermita de Eunate que dizem foi contruída pelos Templários. Infelizmente não foi possível pois já estava tarde. Lamentei por isso.

Bem, Puente la Reina charmosa por sua história! Durante um bom tempo foi governada pelos Cavaleiros Templáros; Lá, o Caminho Francês se encontra com o Caminho Aragonês e passam a ser um só até Santiago de Compostela.

Há uma ponte belíssima que foi construída no séc. XII a mando da rainha Doña Mayor também chamada Doña Munia esposa do rei Sancho III de Navarra o Maior, isto para facilitar a travessia dos peregrinos pelo rio Arga.


Chegamos a Puente la Reina quase mortos de tanto andar, ficamos no albergue Jakue que de todos os albergues em que fiquei este é o que possui melhores instalações, um restaurante maravilhoso e tudo a bom preço. Ele é tanto albergue como também hotel.

O melhor de tudo, para quem já vem cansado é que ele está logo na entrada de Puente la Reina. Entrou na cidade, já dá de cara com ele. Excelente!


http://www.jakue.com/

Para quem quiser ver mais detalhes desta etapa clique no álbum mais abaixo.


Agora deixo a oração que encontramos, no Caminho de Santiago, eu e minha mãe, ao nosso modo e ao nosso respectivo tempo.


Está em espanhol. (o editor deste blog não me permite colocar os devidos acentos de interrogação e exclamação ao contrário pertencente ao castelhano)



"Peregrino Quo Vadis? (tradução: peregrino aonde vais?)
Por um momento, calla,
No digas nada.
Aprende,
Caminando em silencio,
a escucharlo.
Hace tanto tiempo
que te habla
y no lo oyes!
Hoy,
al menos hoy,
en esta inmensa soledad,
escucha al Otro.
Son tantos
los años que te sigue
caminando a tu lado
intentando dialogar
y no lo dejas.
Solo,
lo dejas solo.
Quiere ser tu camino
tu verdad
y tu vida
y no lo dejas!
Calla, escucha,
comienza
por dejar que te hable
que se asome,
a la enmarañada algarabía de tu alma
para imponer silencio.
Y luego
que tu primera palabra
sea solamente esta:
PERDONAME!"

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Etapa 4 - Zubiri à Pamplona

Dia 03/07/10
Percurso = 20,4 km
Percurso acumulado = 69,4 km
Início = 8h45
Término= 16h45
Duração= 8h

Deixamos Zubiri tarde para variar. Já conformada com a saída do Brasil da Copa me pus a caminhar.

Nessa etapa adquiri um bolhinha no dedinho do pé, nada grave, embora a rotina fosse lambuzar o pé com pomada de arnica ou vaselina, calçar uma meia fina e depois calçar uma meia grossa, o que evitava a formação de bolhas, atribuo o fato ao ter sido colocado dentro da bota, na noite anterior, polvilho anti-séptico demasiadameante por minha mãe, eu por minha vez, não tive o cuidado de sacudir e dessa forma retirar o pó antes de calçar a bota, de modo que ressecou o pé e fiz a bolha.


Zubiri se deixa pela mesma ponte pela qual se entrou.
Se passa por vilarejos sem se ver viva alma!

Esta etapa possui trechos com algumas descidas e subidas mas nada tão difícil. Afinal, já começamos a nos acostumar com tais dificuldades.

Não demora muito e logo chegamos em uma fábrica de cimento pela qual o Caminho faz passagem. A fábrica MAGNA.

Somos alertados para não nos desviarmos do caminho ao passar por ela.

Continuando o caminho, ainda se encontra alguns bosques, de modo que o calor é aliviado pela sombra das árvores.

Parte do caminho se faz margeando o rio Arga, é muito relaxante.

Encontramos cavalos lindos. Um deles soltou um pum. Bem ruidoso.

Fazendo uma curva num trecho estreito vinha em minha direção um cara somente vestido, se é que se pode chamar de vestido, com um pedaço de pano na sua genitália e com a mão segurando o "pinto". Fiquei com medo nessa hora pois estava só neste trecho, minha mãe e meu filho estavam lá para trás de modo que eles não estavam me vendo.

Graças a Deus nada de mais ocorreu.


Há trechos que há que se tomar cuidado, são trechos estreitos demais, qualquer deslize você pode cair morro abaixo.



Meus óculos de sol cairam no chão e uma lente se quebrou, antes foi a máquina fotográfica no primeiro dia, agora os óculos e minha garrafa de água escapuliu da minha mão quando estava passando por um trecho estreito em uma espécie de ribanceira não pude reavê-la, eta maré de sorte!!!!


Bem, depois se pega um trecho pela estrada N-135. Há que se ter muito cuidado, mas não demora muito.




Se chega em Pamplona pela Ponte de la Magdalena, a ponte mais importante de todas as quatro pontes medievais que cruzam o rio Arga até chegar em Pamplona. Foi construída em estilo gótico no séc. XII.

O interessante é que desde de Villava até Pamplona se vai caminhando dentro de cidades. Burlada mais parece um bairro de Villava, é muito perto. Logo depois vem Pamplona.




Pamplona é uma cidade grande. Foi fundada pelos romanos no ano 75 a.c. Após ser objeto de várias e várias conquistas, em 905 foi capital do reino de Navarra quando o rei era Sancho Abarca. Em 1512 este reino foi ocupado pelos reis católicos.



A cidade possui de um tudo, inclusive uma grande universidade.




Passando a ponte não demora e logo se vê as muralhas e se entra pelo Portal de Francia, contruído em 1533, que possui ainda intactas sua ponte levadiça e suas correias.




A cidade já estava cheia de gente por conta da Festa de Sanfermín que começaria dia 07 de julho.

San Fermín, considerado santo, era filho de um chefe romano de pamplona e um padre francês o converteu ao cristianismo e o levou para França para estudar e se tornar bispo. Se tornou bispo de Toulouse. Ele retornou a Pamplona e converteu a muita gente. Retornou a França e em Amiens construiu uma igreja. O chefe de Amiens que era pagão o pressionou e o torturou para que renegasse a fé cristã, como ele não o fez foi degolado.

Dia 7 de julho é o seu dia, e dia de início da festa que vai até o dia 14 de julho, e o seu nome foi dado a esta festa em pamplona com touros que percorrem algumas ruas da cidade na parte velha até chegar na praça dos touros onde são enfrentados por toureiros. A isso chamam de "encierros". Veja ao final da postagem o video do segundo encierro de 2010.

Pessoas malucas se põe na frente dos touros. Sempre há pessoas que se ferem e até mesmo que morrem por conta disso.

No dia em que chegamos, Espanha ia jogar e a praça del Castillo ficou movimentada para assistir ao jogo. Encontramos uma vaga em um bom restaurante, o Dom Luis na antiga rua de las Tornerias, comida pouca, veja no álbum o tamanho do frango com fritas do Rodrigo, mas muito saborosa. Foi o restaurante em que comi a melhor salada russa. Lá fomos atendidos por uma portuguesa muito simpática chamada Fátima.

Ficamos no Hotel Arriazu, muito bom, quarto com varandinha e portas a prova de som.

Para ver mais detalhes desta etapa veja o álbum abaixo:




Chinches

Em Palas del Rei dormi no albergue Buen Camino, cometi a besteira de, ao dormir, colocar o meu casaco fleece sobre o travesseiro. Tive a "brilhante idéia" porque me mexo muito no saco de dormir e a parte que cobre a cabeça acaba por sair do lugar, e meu rosto acaba encostando no lençol.

Bem, entrei no saco de dormir e cometi a insanidade de acreditar que nada poderia acontecer se somente o meu braço estivesse para fora, assim com o braço para fora do saco e o casaco no travesseiro passei a noite neste albergue. LOUCA!!!!


No dia seguinte, meus braços estavam picados por uns bichos que não sabia ao certo quais eram. Imaginei que eram os tais falados chinches.

Onde a picada ocorreu ficou vermelho e inchou um pouco, coçava deseperadamente. Com o tempo se transformava e o vermelhidão ia diminuindo e ficava uma pontinha branca, depois se transformou em casquinha. Demorou semanas para sair.

Muito bem, segui o caminho sem jamais dar conta de que o pior ainda estava por vir.

Simplesmente carreguei esse bicho no meu casaco sem saber, continuei a ser picada durante o caminho e não sabia como, somente em Santiago de Compostela, quando fiquei num hotel pude verificar qual bicho era e chegar à conclusão de que o trazia em meu casaco.

Uma certa manha, no hotel, acordei e vi os bichos na minha cama, estava toda picada, braços, pernas, barriga, costas.

Minha mãe prontamente tacou o repelente neles e este os matou. Por isso levem repelente com vocês, é muito importante!

Infelizmente nenhuma das pomadas que passei aliviou a coceira.

ATENÇÃO FUTUROS PEREGRINOS: não cometam a ingenuidade/burrice que cometi, paguei caro por isso conforme se verificam nas fotos. Cuidado ao levarem fronha, verifiquem se realmente não há nada nelas antes de guardá-la na mochila. Esses bichos podem se infiltrar em qualquer coisa, inclusive em mochilas. Tacamos repelentes também nas mochilas.

CHINCHES são uns bichos marrons que se alimentam do nosso sangue, inclusive. Se escondem durante o dia e à noite saem, não pulam, nem voam mas são rápidos.
Devo confessar que ao fazer essa postagem estou me coçando toda no braço e na barriga. Incrível como reage a mente humana após uma situação traumática. Estou impressionada!

Hoje, dia 23/02/14, tomei conhecimento de algo que combate esses bichos: BICARBONATO DE SÓDIO.
Misture um pouco de água ao bicarbonato, e passe a solução na picada recebida.
O bicarbonato absorve a umidade e retira as toxinas da ferida concedendo um alívio do sofrimento recebido.
Faz-se o alerta, na reportagem em que li, que há que se verificar se o bicarbonato não contém alumínio.  Comprar um que não contenha essa substância. Realmente não sei o motivo, mas repasso a informação.





domingo, 8 de agosto de 2010

Etapa 3 - Roncesvalles a Zubiri

Dia 02/07/10
Percurso = 21,5 km
Percurso acumulado= 49 km
Início= 7h45
Término= 17h05
Duração= 9h40

Embora verão o dia estava nublado, fomos uns dos últimos a sair do albergue.

Quando o peregrino deixa o albergue em Roncesvalles não há ainda nada aberto, portanto o café da manhã é tomado geralmente nos outros vilarejos. Embora o albergue da Colegiata de Roncesvalles ter maquinas com lanches, cafés, refrigerantes e sucos, nós tomamos o nosso em Burguete.

O nosso café da manhã costumava ser: o tradicional café com leite e pedíamos também o Colacao, equivalente ao nosso nescau, suco de laranja, tostadas e croissants, algumas vezes pedíamos também Magdalena um bolinho feito de milho.

Bem, voltando ao caminho, íamos em direção à Burguete, primeiro vilarejo que se encontra nesta etapa a Zubiri, muito bonito; Se entra em um bosque paralelo à pista até certo ponto, até que quando chegamos entre o limite entre Burguete e Roncesvalles encontramos a Cruz de Roldan, chamada de a Cruz Branca.
Conta a lenda que aí, sob essa cruz, está enterrado Roldán, sobrinho e um dos doze pares de Carlomagno, que morreu na Batalha de Roncesvalles. Por volta de 778, Carlogmano tinha ido a Espanha para lutar contra os árabes e tendo sido derrotado voltou furiosamente para França, passando por Pamplona e destruindo suas muralhas. Por conta desse último episódio, Carlomagno desencadeou uma revolta no povo que alí vivia que muito rapidamente tentaram armar-lhe uma emboscada no lugar onde hoje é Roncesvalles. Acontece que Carlomagno já estava mais adiante e era seu sobrinho Roldan quem estava por aquela área, de modo que este foi pego, mas conta a lenda que Roldan antes de morrer tocou o olifante para avisar a Carlomagno . Mas na verdade, segundo historiadores, essa cruz marca apenas o limite entre Roncesvalles e Burguete, todavia é considerado símbolo de proteção divina no Caminho.

A batalha existiu, a morte de Roldan ocorreu naquelas imediações, mas esta não é a tumba dele.

O bosque, entre esses municípios, pelo qual passamos, que antigamente provavelmente deveria ser mais extenso, se chama Sorginaritzaga, que na língua euskera quer dizer Carvalhal das Bruxas, nesses bosques se celebravam sabás no séc. XVI, o que levou à fogueira 9 pessoas, consideradas bruxas.


Eu não sei não, mas coincidentemente todas as fotos que eu bati dentro desse bosque não prestaram. Somente a que eu bati antes de entrar nele e a próxima foto boa só vai ser a que eu bati ao sair dele que é quando encontramos a Cruz Branca. Deve ter alguma energia por lá que não queria que eu tivesse uma foto linda daquele bosque. Mistério...!!!!! Bem, já quase chegando em Burguete, um chuvisco nos pegou de surpresa mas foi rápido. Chuvas de verão. Dá um trabalhinho, porque vc tem que tirar a mochila para apanhar o poncho, coloca o poncho, aí você começa a caminhar, daí você sente um calorzinho porque com o poncho acaba por esquentar. Depois para a chuva, tira o poncho, guarda, mas adiante o chuvisco retoma... e assim vai...

Burguete mais parece um vilarejo de conto de fadas, suas casinhas todas branquinhas com flores, ruas limpinhas, é uma graça...lindo mesmo! Na rua San Nikolas se vai caminhando até que se encontra o Banco Santander, neste momento se dobra à direita para pegar uma trilha mais adiante.








Nessa etapa se passa por bosques e terrenos amplos onde se caminha tranquilamente até determinado ponto, basicamente até Espinal, que também tem a estrutura de casinhas brancas como Burguete, então começa um sobe e desce e por caminhos muitas vezes com pedrinhas de forma que haja pernas! O cansaço bate forte aqui. O pé fica dolorido de tanto pisar nessas pedrinhas, mesmo estando de bota.

Essa etapa custou a ser terminada. Paramos uns 20 minutos pro café, e para o almoço devemos ter parado outros 20 minutos. Geralmente o nosso almoço era uma barra de cereal. Eu sei que 20 minutos é muito tempo para se comer barra de cereal, mas estava chuviscando, estávamos muito cansados e levamos um pouco mais de tempo.

Indo em direção a Mezkiritz, próximo à pista há uma lápide em homenagem à Nossa Senhora de Roncesvalles, onde nela se pede que se reze um Salve Rainha.

Já próximo de chegar a Zubiri um brasileiro passa na bicicleta por mim e me reconhecendo também brasileira grita que o jogo do Brasil está para começar, falta 1 hora, apesar de já estar esgotada, uma energia é retomada sabe-se lá de onde, e então apresso o passo, tudo para ver a minha seleção jogar.

Continuo a andar, mas nada de chegar, faltam 30 minutos pro jogo. Me bate um desapontamento por não poder ver desde o início. Continuo apressada.




Finalmente chego em Zubiri, largo a minha mochila e corro para um bar virando a esquina do albergue onde tinha uma televisão. Entro, sento em uma mesa onde estava a japonesa que conheci em Orisson e seu amigo, todos vidrados na tela, cheguei ainda no 2º tempo, com menos de 5 minutos no bar o Brasil toma o gol da Holanda que o desclassifica. De cabeça baixa volto arrasada para o albergue.











Quanto ao albergue ficamos no albergue Zaldiko, excelente albergue, pequeno, mas limpinho, aconchegante e com internet grátis. Muito bom. Próximo a ele tem uma venda onde vc pode comprar um pouco de tudo, inclusive frutas.


Para se entrar em Zubiri é preciso atravessar uma ponte medieval que fica sobre o rio Arga que é chamada Puente de la Rabia. Chama-se assim por que acreditavam antigamente, e bota antigamente nisso, que os animais que dessem a volta pelo pilar da ponte ficavam curados da raiva.


No álbum abaixo você pode ver mais detalhes das dificuldades desta etapa.

Também há um vídeo de um momento de desapontamento por não conseguir ver o "grande" jogo que nosso seleção teve com a Holanda.

Etapa 3 - Roncesvalles a Zubiri