domingo, 8 de agosto de 2010

Etapa 3 - Roncesvalles a Zubiri

Dia 02/07/10
Percurso = 21,5 km
Percurso acumulado= 49 km
Início= 7h45
Término= 17h05
Duração= 9h40

Embora verão o dia estava nublado, fomos uns dos últimos a sair do albergue.





Quando o peregrino deixa o albergue em Roncesvalles não há ainda nada aberto, portanto o café da manhã é tomado geralmente nos outros vilarejos. Embora o albergue da Colegiata de Roncesvalles ter maquinas com lanches, cafés, refrigerantes e sucos, nós tomamos o nosso em Burguete.

O nosso café da manhã costumava ser: o tradicional café com leite e pedíamos também o Colacao, equivalente ao nosso nescau, suco de laranja, tostadas e croissants, algumas vezes pedíamos também Magdalena um bolinho feito de milho.

Bem, voltando ao caminho, íamos em direção à Burguete, primeiro vilarejo que se encontra nesta etapa a Zubiri, muito bonito; Se entra em um bosque paralelo à pista até certo ponto, até que quando chegamos entre o limite entre Burguete e Roncesvalles encontramos a Cruz de Roldan, chamada de a Cruz Branca.


Conta a lenda que aí, sob essa cruz, está enterrado Roldán, sobrinho e um dos doze pares de Carlomagno, que morreu na Batalha de Roncesvalles.
Por volta de 778, Carlogmano tinha ido a Espanha para lutar contra os árabes e tendo sido derrotado voltou furiosamente para França, passando por Pamplona e destruindo suas muralhas. Por conta desse último episódio, Carlomagno desencadeou uma revolta no povo que alí vivia que muito rapidamente tentaram armar-lhe uma emboscada no lugar onde hoje é Roncesvalles. Acontece que Carlomagno já estava mais adiante e era seu sobrinho Roldan quem estava por aquela área, de modo que este foi pego, mas conta a lenda que Roldan antes de morrer tocou o olifante para avisar a Carlomagno . Mas na verdade, segundo historiadores, essa cruz marca apenas o limite entre Roncesvalles e Burguete, todavia é considerado símbolo de proteção divina no Caminho.

A batalha existiu, a morte de Roldan ocorreu naquelas imediações, mas esta não é a tumba dele.

O bosque, entre esses municípios, pelo qual passamos, que antigamente provavelmente deveria ser mais extenso, se chama Sorginaritzaga, que na língua euskera quer dizer Carvalhal das Bruxas, nesses bosques se celebravam sabás no séc. XVI, o que levou à fogueira 9 pessoas, consideradas bruxas.


Eu não sei não, mas coincidentemente todas as fotos que eu bati dentro desse bosque não prestaram. Somente a que eu bati antes de entrar nele e a próxima foto boa só vai ser a que eu bati ao sair dele que é quando encontramos a Cruz Branca. Deve ter alguma energia por lá que não queria que eu tivesse uma foto linda daquele bosque. Mistério...!!!!! Bem, já quase chegando em Burguete, um chuvisco nos pegou de surpresa mas foi rápido. Chuvas de verão. Dá um trabalhinho, porque vc tem que tirar a mochila para apanhar o poncho, coloca o poncho, aí você começa a caminhar, daí você sente um calorzinho porque com o poncho acaba por esquentar. Depois para a chuva, tira o poncho, guarda, mas adiante o chuvisco retoma... e assim vai...

Burguete mais parece um vilarejo de conto de fadas, suas casinhas todas branquinhas com flores, ruas limpinhas, é uma graça...lindo mesmo! Na rua San Nikolas se vai caminhando até que se encontra o Banco Santander, neste momento se dobra à direita para pegar uma trilha mais adiante.








Nessa etapa se passa por bosques e terrenos amplos onde se caminha tranquilamente até determinado ponto, basicamente até Espinal, que também tem a estrutura de casinhas brancas como Burguete, então começa um sobe e desce e por caminhos muitas vezes com pedrinhas de forma que haja pernas! O cansaço bate forte aqui. O pé fica dolorido de tanto pisar nessas pedrinhas, mesmo estando de bota.

Essa etapa custou a ser terminada. Paramos uns 20 minutos pro café, e para o almoço devemos ter parado outros 20 minutos. Geralmente o nosso almoço era uma barra de cereal. Eu sei que 20 minutos é muito tempo para se comer barra de cereal, mas estava chuviscando, estávamos muito cansados e levamos um pouco mais de tempo.

Indo em direção a Mezkiritz, próximo à pista há uma lápide em homenagem à Nossa Senhora de Roncesvalles, onde nela se pede que se reze um Salve Rainha.

Já próximo de chegar a Zubiri um brasileiro passa na bicicleta por mim e me reconhecendo também brasileira grita que o jogo do Brasil está para começar, falta 1 hora, apesar de já estar esgotada, uma energia é retomada sabe-se lá de onde, e então apresso o passo, tudo para ver a minha seleção jogar.

Continuo a andar, mas nada de chegar, faltam 30 minutos pro jogo. Me bate um desapontamento por não poder ver desde o início. Continuo apressada.




Finalmente chego em Zubiri, largo a minha mochila e corro para um bar virando a esquina do albergue onde tinha uma televisão.

Entro, sento em uma mesa onde estava a japonesa que conheci em Orisson e seu amigo, todos vidrados na tela, cheguei ainda no 2º tempo, com menos de 5 minutos no bar o Brasil toma o gol da Holanda que o desclassifica. De cabeça baixa volto arrasada para o albergue.





Quanto ao albergue ficamos no albergue Zaldiko, excelente albergue, pequeno, mas limpinho, aconchegante e com internet grátis. Muito bom. Próximo a ele tem uma venda onde vc pode comprar um pouco de tudo, inclusive frutas.


Para se entrar em Zubiri é preciso atravessar uma ponte medieval que fica sobre o rio Arga que é chamada Puente de la Rabia. Chama-se assim por que acreditavam antigamente, e bota antigamente nisso, que os animais que dessem a volta pelo pilar da ponte ficavam curados da raiva.







No álbum abaixo você pode ver mais detalhes das dificuldades desta etapa.
Etapa 3 - Roscenvalles a Zubiri 

Também há um vídeo de um momento de desapontamento por não conseguir ver o "grande" jogo que nosso seleção teve com a Holanda.




terça-feira, 20 de julho de 2010

Etapa 2 - Orisson a Roscenvalles

01/07/2010
Destino: Roscenvalles
Temperatura: 26 graus
Percurso: 20km
Percurso acumulado: 27,5 km
Início: 8h15
Término:15h50
Duração: 7h35

O dia amanheceu lindo! Friozinho logo no início, começamos a caminhar às 8h15. Se via as nuvens cobrindo as montanhas abaixo da gente. Lindo demais!
A paisagem cada vez mais deslumbrante aos meus olhos!

Começo a caminhada ainda com reflexos de dores do dia anterior na panturrilha.

Eu dei um jeito no meu braço com a mochila, pois não conseguia movimentá-lo direito, até para escovar o meu cabelo foi difícil.






Bem, o caminho continua por uma estrada nas montanhas. Se vê muitas pastagens, vacas, ovelhas lindas...e vai subindo... vai subindo... parece que vamos chegando pertinho do céu!

Não demora muito e logo vemos, um pouquinho afastada da entrada que temos que tomar, a estátua da Virgem de Biarroki, não pensei duas vezes, fui até lá! Imaginei tantas vezes esse momento, em que eu aos pés da Virgem, nos autos dos Pirineos cantava o ato de Consagração â Nossa Senhora, e cantei, ou melhor, cantamos!
Durante o caminho também vemos muitas cruzes de peregrinos que morreram ali. Soube que no ano passado um morreu de frio, foi na época do inverno.
Nesta foto o Rodrigo olha o quanto percorremos. Não é incrível?



O caminho que temos a seguir é indicado por setas amarelas, por 2 traços um em branco e o outro em vermelho, as vezes está o sinal no chão, numa pedra, numa árvore, num poste, de modo que você tem que estar muito atento para não se perder.



Depois a trilha passa a conter pedras, e embora estejamos com uma bota de boa qualidade, o pisar constante nestas pedras, que são de todos os tamanhos e tipos, encravadas no solo ou soltas, começa a causar dores nos pés.




Encontramos Beó (a húngara) sentada neste trecho, fazia um calor enorme, a coitada estava queimada do sol, suas mãos vermelhas demais (ela é muito branquinha aí o sol maltrata).



Chega um momento em que entramos em solo espanhol. O sol pega pesado, estamos cansados, os ombros já arriados e vemos uma casinha no meio do nada. Alguém construiu uma espécie de abrigo. Agradecemos. Estávamos esgotados pelo sol.




Quando chegamos em Collado Lepoeder temos que escolher qual caminho seguir.

Há dois, escolhemos o caminho pelo bosque, é o mais curto e o mais bonito, mas não o mais fácil, é uma descida braba!

Já quase me arrastando chegamos em Roscenvalles às 15h50.

Estava com medo de não conseguir vagas no albergue, mas conseguimos, eu fui a de número 69, creio que eram 124 vagas, 6 euros.

Ficamos no refugio Itzandegia que faz parte da Real Colegiata de Roscenvalles, uma construção do séc. XII, é bom, tem internet, tem 3 duchas no banheiro feminino e 3 no masculino, enfrentamos uma fila de mais de meia hora para tomar banho.




Nesse dia entrou água no meu ouvido e até o momento ele se encontra tapado. A água que estava dentro provavelmente se foi, mas não sei se é da altitude ou não, o fato é que estou ainda em viagem com a audição do lado esquerdo meio que prejudicada.




A foto logo acima mostra a nossa zona. Quando se chega no albergue, após o banho, o lance é cuidar de lavar roupa, arranjar um lugar para secar quando não tem secadora, e depois descansar.
Vida de peregrino não é fácil galera!!


Para ver mais sobre essa etapa clique no álbum abaixo

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Etapa 1 - Saint-Jean-Pied-du-Port a Orisson

30/06/2010
Época: Verão
Temperatura: 28 graus/15 graus.
Percurso a pé: 7,5 kms.
Destino: Orisson (França)
Início: 9h30
Término: 13h38
Duração: 4h08 (caminhadas com paradas para fotos e descansos)
Saint Jean está a mais ou menos 200 metros acima do nível do mar . Orisson está a 795 m.
Nosso dia começou cedo, embora tenhamos deixado Saint Jean tarde. Tomamos o café, nos despedimos e partimos descendo a Rue de la Citadelle.

No final dessa rua se encontra a torre do relógio e ao lado dela a igreja Notre-Dame-du-Bout-du-Pont construída no estilo gótico, uma igreja do século 14.
Ao passar pela torre do relógio se sai sobre a ponte medieval sobre o rio Nive. Lindo!

Logo você já está na Rue d'Espagne e ao final dela se sai pela Porte d'Espagne passando pelo que restou das muralhas nesse ponto.

Logo nos animamos pois íamos finalmente cruzar os Pirineos.
Esta é a etapa mais difícil.





Existem duas rotas nesse trecho: a Rota de Valcarlos e a Rota de Napoleão.


Optamos seguir pela Rota de Napoleão.
É a rota mais difìcil. Por ela passaram as tropas de Fernando o Catolico, as legiões romanas, Carlomagno para lutar com os Sarracenos, Napoleão, enfim, todos com seus exércitos.
Isso me encanta! Poder passar por onde esses homens que fizeram história passaram é pra mim realmente emocionante!

O trecho já começa com uma forte subida por uma estrada esfaltada e tudo é lindo e maravilhoso!
Todos com água, enormes bocadilhos que o pessoal do albergue preparou para a gente, que um só bastava aos três... tudo pronto para subir mesmo!

Após 2 horas de caminhada resolvemos parar para comer o sanduiche, eu sentei e comecei a abocanhar o meu sanduiche quando 2 cachorros sentiram o cheiro e vieram para perto, mamãe e Rodrigo com medo, tratamos logo de sair dali sem comer direito.
Corre! pega a mochila!


Os cachorros vieram latindo atrás da gente, nos seguiram um tempinho latindo mas não aconteceu mais nada. Nós os ignoramos com a cara e a coragem!

Bem, subida nunca é fácil e a mamãe não parecia bem, ela parou para tirar a mochila, algo a incomodava e eu preocupada esqueci que estava segurando a máquina fotográfica e esta caiu no chão em cima de uma pedra que destruiu o display dela. Tudo ficou preto.
Imaginem o quanto fiquei arrasada naquela hora!!!

Mas como não dei confiança ao azar tentei bater assim mesmo e para minha surpresa ela continuou a bater fotos, só que você não vê a imagem que irá ser fotografada... mas ela está tirando fotos belíssimas.


Tenho também minha filmadora que tira fotos e então bola pra frente.
Pouco a pouco o cansaço vai aumentando, a mochila parecendo mais pesada, a respiração fica difícil, creio que pela altitude.


Como não havíamos treinado muito para essas caminhadas, não preciso lhes dizer do quão difícil foi subir 7,5 km já de cara. Mas a paisagem valeu a pena.






Já quase exaustos chegamos ao albergue de Orisson, ainda território francês, é um bom albergue que fica nos Pirineos. Achei melhor ficar nas montanhas e pegar leve. Dividimos o quarto com mais 3 pessoas.
O jantar foi servido às 18hs30. Sopa de entrada e o prato principal não me agradou muito então foi só o que comi.
No jantar parecia uma verdadeira "torre de babel", perto de nós sentaram italianas, franceses, uma moça húngara que a chamava de Beó. Uma moça de Tampico, lugar que nem sabia que existia...



Eu estava terrivelmente cansada e se via no rosto, logo, não me demorei muito.
Nada mais a comer, eu e Beó, a húngara, que estava na mesma situação que eu, fomos as primeira a nos levantarmos da mesa e fomos dormir.
Depois minha mãe falou que o dono do albergue pediu a todos que se apresentasse e dissessem de onde eram.
Ora, ele deveria ter feito isso no início, ficaria mais fácil para você se enturmar durante o jantar.

O albergue é grande e tem tudo que se precisa, exceto internet, e o melhor: tem uma vista maravilhosa!!!!!






Abaixo deixo o link do álbum dessa etapa.
Etapa 1 - Saint Jean Pied de Port a Orisson

sábado, 10 de julho de 2010

Etapa 0 - Saint Jean Pied de Port - França


Dia 29/06/2010
Chegamos em Saint Jean Pied de Port na França, ansiosos e animados para começar a caminhada no dia seguinte.

Saint Jean Pied de Port foi criada em 716 pelo rei de Pamplona Garcia Ximenez.

O ônibus passa ao lado da Citadelle, mas não faz parada para deixar os que querem ficar por lá, nos deixa na Gare simples de Saint Jean.




Da Gare se anda algo em torno de 5 minutos e logo se está entrando nas muralhas da Citadelle.
Ao subir as escadas, à direita se vê a Porta de Saint-Jacques, e já estamos na Rua de la Citadelle, tão pronto já se vê a Oficina de Peregrinos no nº39 onde pegamos o carimbo na nossa Credencial. Lá eles nos dão uma relação com os albergues por todo o Caminho e mapas das etapas em seus trajetos e quilômetros.





Logo ao transpor as muralhas uma moça húngara começou a puxar conversa conosco, se chama Elisabeth, Erzabet em húngaro.
Ficamos conversando mas ela não ficou no mesmo albergue que nós, não a vi mais.

Pediu ao Rodrigo para lhe tirar uma foto, estava séria, e eu disse: sorria!

Não quis sorrir... estava triste, passando por um problema de saúde o que lhe tirou a vontade de sorrir, disse-me ela. Tem 4 filhos.
Queria ter tido mais tempo para conversar com ela.
Por sorte me deu seu e-mail.
Assim que chegar em Manaus tentarei me contatar com ela.







Logo em frente a Oficina dos Peregrinos está o Albergue L'Esprit du Chemim - o albergue onde ficamos.

Já eram umas 17h e já estava tarde, fomos recebidos por Jaques e sua esposa, hospitaleiros voluntários holandeses, que nos recepcionaram maravilhosamente bem!
Havia também dois ajudantes húngaros, Walter e Istuan.
Os donos do albergue, Arno e Huberta estavam de férias viajando.



O Sr. Walter (de boné) nos ofereceu chá e o Sr. Istuan (camisa preta) preparou o jantar junto com a esposa de Jaques.
Jaques nos apresentou a todos, nos mostrou o albergue, e ficou maravilhado por sermos 3 gerações juntas fazendo o Caminho.

Nos levou a um cantinho especial que foi feito nesse albergue, um cantinho de inspiração, para oração, relaxamento ou o que for.... um lugar lá no alto do terreno, quieto, e lá nos acendeu um incenso e nos falou e mostrou coisas e símbolos do Caminho.

Depois nos deixou lá, e lá ficamos folheando, os três, um livro com dizeres significativos sobre a Peregrinação.

Já estava ficando tarde e tínhamos que tomar banho para nos prepararmos para o jantar com os demais peregrinos, que seria servido excepcionalmente às 19h30 por conta do nosso atraso.












Ficamos num quarto para 4 pessoas. A quarta pessoa era um irlandês chamado Peter.
Um senhor baixo, sem pescoço e também sem muita reserva, pois que para minha surpresa quando estava no quarto escrevendo em meu diário, percebi que ele estava tirando a roupa e se trocando sem maiores cuidados. Pude ver sua cueca preta, e logo desconcertada fingi que não havia visto nada.
Tinha que me acostumar a isso. Bem, não era nenhum Tom Cruise...
Seu andar lembrava o andar do Quasimodo o corcunda de Notre Damme.

Na hora do jantar Jaques fez um discurso, ali estavam presentes 14 nacionalidades (Itália - Padre Mauritzo, Brasil - nós, Venezuela - Daniel, EUA - Robert, Irlanda - Peter, Holanda - Jaques e esposa, Hungria - Walter e Istuan, os outros não me recordo o nome mas eram da Alemanha, Bulgária, Inglaterra, Áustria, Bélgica, Pérsia e África.

Nos sentamos com o Padre Mauritzo e o Daniel que estava fazendo seu caminho em Bicicleta.
Daniel nos contou que havia acabado de participar de um Amazing Race Latino América e ficou em 2º lugar junto com o seu afilhado.

Jaques nos presenteou com uma faixa do albergue e uma pedra de sua terra - Holanda.
Nos disse que possuímos 98% de boa energia, os outros 2% era de energia ruim, e que deveríamos descobrir esses 98% se acaso já não o conhecíamos.
Esta pedra que ele nos deu foi para que a usássemos constantemente conosco ao longo da caminhada, ao final, nela estaria concentrada nossa boa energia, de modo que andamos com a pedra em nossos bolsos.




Também nos deu um papel onde deveríamos escrever um desejo que gostaríamos que se realizasse e o colocamos dentro de uma bola de plástico que foi posta dentro de uma pirâmide criada neste albergue.

Bem, tudo estava ótimo mas teríamos que logo dormir pois o albergue apagava as luzes às 22h.
Peter roncava acompanhado da mamãe sinfonicamente falando.
Usei meus tampões de ouvido pela primeira vez.
Foi a melhor recepção já recebida nesta Caminhada.

O Albergue L'Esprit du Chemim é inesquecível!

Atualizando informações sobre o Albergue em 2021.

O albergue L'Esprit du Chemim mudou de donos, e com isso o seu nome também foi mudado, agora é chamado de Beilari, palavra do Basco que significa Peregrino.

Hostel Beilari.

L'espritduchemin.

Abaixo tem o link para o álbum de fotos desta etapa. Fotos de Saint Jean, do albergue e do pessoal.

CLUBEMED ITAPARICA E SALVADOR

A caminho de Saint Jean Pied de Port

No dia 29 de Julho de 2010 deixamos Lourdes na França e tomamos um trem para Bayonne, uma maravilha de viagem. Um tempo lindo!

Ao chegar em Bayonne fomos tentar passar o tempo até a hora do que eu achava que era a saída do trem para Saint Jean Pied de Port. Também estávamos atrás de banheiro, pois na Gare (estação) não havia.

Ao sair da Estação de trem em Bayonne a primeira impressão que tive ao ver os prédios é que estava numa cidade da LEGO. Uma graça!

Bayonne fica no Sudoeste da França nos Pirineos, foi construída no ano de 950 sobre as ruínas de um claustro romano.
Fomos a uma igreja que há em frente para a Estação, foi construída sob o priorado romano e ainda subsitem alguns elementos da época neste edifício.

Descobrimos que a dois quarteirões da Estação de trem, saindo pelo lado direito, há o Ciber Net Café- SEMEUSE na Place de la République, e pude finalmente acessar a internet.
É de Fernando um português que mora la há bastante tempo, super gente fina!

Bem, faltando pouco mais de meia hora para o nosso trem nos dirigimos à Estação para esperar por ele, mas olhando o quadro onde marcam as partidas e chegadas dos trens, notamos que ao lado do nosso havia uma imagem do que parecia para mim ser um carro, caminhão algo assim...

Não dei muita confiaça a princípio, até que já faltavam menos de 20 minutos e nada do número da plataforma aparecer, foi então que o meu filho Rodrigo me chamou a atenção...
Fui perguntar porque havia o desenho de um carro e não o número da plataforma..
Gente!Eu não sabia que não havia trem para Saint Jean, se vai para lá de ônibus.
A passagem de Bayonne para Saint Jean eu comprei no site da SNCF (trens da França)
Mas isso do ônibus não ficou bem claro pra mim no momento em que a comprei.
Muita sorte não perdermos o transporte, corremos para um estacionamento ao lado da Estação de trem onde o ônibus já estava lá. Faltavam 15 minutos para sua saída. UFA!!!!

OBS: Lendo email de outros peregrinos, após há mais de 1 ano de minha viagem, fiquei ciente de que há atualmente trem para Saint Jean Pied de Port.

Então para os futuros peregrinos que leiam esta postagem saibam:
a) para se ir para Saint Jean Pied de Port tem que ir primeiro para Bayonne
b) pode-se comprar a passagem pela internet no site da SNCF.
c) Ficar atento na baldeação para Saint Jean Pied de Port, se for de trem, ótimo! Se acaso for de ônibus, ele espera do lado esquerdo da Estação de trem.
d) Na compra não há marcação de acento, quando se vai de ônibus.
e) Nas Estações de trens da França antes de entrar no trem você tem que fazer a COMPOSTAGE: inserir o bilhete na máquina amarela que fica ao lado da entrada para as plataformas para que o confirme e você possa entrar no trem.
SIMPLES ASSIM!!!!!!

ESTAÇÃO DE LOURDES



BAYONNE


CYBER NET CAFÉ DO FERNANDO (Português)





























quinta-feira, 24 de junho de 2010

De partida a Santiago de Compostela

Chegou o dia, o Caminho começa ao se bater a porta de casa! Coração batendo forte, mochila pronta, parto hoje na madrugada de 25/06 para o Rio e à tarde deste mesmo dia partimos para a nossa primeira viagem à Europa e para a tão sonhada peregrinação a Santiago de Compostela.

Quero deixar registrado todos os meus mais sinceros agradecimentos a todas as pessoas que colaboraram direta ou indiretamente no meu preparo para esta jornada. Foram muitas!

Levo na bagagem não mais do que o necessário, levo no coração todos vocês queridos amigos, familiares e o meu bem amado, e embora com um espírito de introspecção, não deixarei de pensar e pedir por vocês.

Necy, Lindaura e Rosa, queridas amigas, quando eu estiver finalmente próxima a Urna onde se guardam os restos mortais de Santiago, não tenham dúvidas de que lá estarei depositando aos pés dele a lembrança especial de vocês, a lembrança dos seus sonhos ainda por se realizar.

Aqui deixo uma linda oração que encontrei na web que fará parte de meu preparo diário neste Caminho:


Bendición y oración del peregrino
Señor Jesuscristo que sacaste a tu siervo Abraham de la ciudad de Ur de los caldeos, guardándole en todas sus peregrinaciones, y que fuiste el guía del pueblo hebreo a través del desierto, te pedimos te dignes bendecid a estos hijos tuyos que por amor a tu nombre peregrinando a Compostela.


Sé para ellos compañero en la marcha, guía en las encrucijadas, albergue en el camino, sombra en el calor, luz en la oscuridad, consuelo en sus desalientos y firmeza en sus propósitos; para que por tu guía lleguen incólumes al término de su camino y enriquecidos de gracia y de virtudes vuelvan ilesos a sus casas llenos de saludables virtudes.


Por Jesuscristo, nuestro Señor. Amén.


Até a volta amigos!














segunda-feira, 21 de junho de 2010

Preparação Física e Espiritual

Quando nos vemos envolvidos num sonho como este - uma peregrinação, seja para onde for, você tem que, além de levar um bom material, estar preparado para o tipo de esforço físico que a aventura irá exigir de você, e não só isso, mas bem como estar preparado espiritualmente para esta prova.

Uma prova de fé, uma prova de determinação, na qual existe uma grande expectativa de lidar com o teu limite, fugir dos padrões de conveniência e conforto e, ainda assim, se harmonizar a esse ritmo com a natureza e com as pessoas que passarão por você.

Se permitir a entender, a compreender o essencial da vida, a simplicidade da vida, interagindo com pessoas e se confraternizando, mesmo sem saber nada a respeito delas, se doar e ser feliz, partilhar e se alegrar com o outro simplesmente por ele existir, por ele estar ali e compartilhar dessa mesma aventura junto com você.

Uma meditação é indispensável para nos preparar para aquilo que está por vir, deixar o espírito sereno para receber bem tudo aquilo que o Caminho vai te oferecer (seja algo de bom ou ruim), de forma que, não importa o que se passe, mas o que você tiver que ofertar ao Caminho seja o melhor de ti.

O sonho de chegar a Santiado de Compostela, após uma longa meditação, após enfrentar as surpresas que te reservará o Caminho será a partida inicial de uma nova caminhada.
A busca do teu eu.
A busca da tua verdade.
A busca do que te parece inalcançável.

Quanto ao preparo físico, a poucos dias de iniciar a peregrinação, confesso que o meu não foi lá essas coisas.... , procurei caminhar sempre que possível, inicialmente sem a mochila, já no final fiz apenas uma caminhada com ela, confesso que não foi o suficiente e isso aconteceu mais por falta de tempo.
Na academia procurei fortalecer os músculos, principalmente o das pernas. Procurei aumentar minha resistência física, consegui! E consequentemente perdi até o momento 18 kilos.
Bem, vamos ver o que me reserva a caminhada.... logo lhes contarei.

Saibam que quando falo "Caminho", falo em sentido amplo (envolvendo não só o próprio caminhar, mas bem como a interação com as pessoas com as quais você manterá contato ou passarão por você, também a própria natureza) - HARMONIA - Essa é a palavra chave!

Saber receber, saber dar, sobretudo ser grato incondicionalmente ao que será oferecido a você, porque nada acontecerá à toa, nada virá sem um propósito.

Acredito que estaremos prestes a receber uma lição valiosa da vida para o nosso crescimento espiritual, para o nosso melhoramento familiar e social.

ABRAMOS OS OLHOS, ABRAMOS OS OUVIDOS, ABRAMOS O CORAÇÃO PARA OS NOVOS RELACIONAMENTOS!

E passando por essa prova tirando 10, agora só nos restará fazer da nossa vida cotidiana um "eterno Caminho a Santiago de Compostela", só nos restará fazer das pessoas que encontramos os peregrinos desse Caminho chamado VIDA!


BUEN CAMINO!