domingo, 5 de julho de 2009

Seringal - Vila Paraíso - Museu a céu aberto.

O Seringal Vila Paraíso, localizado a 50Km de Manaus, é uma reprodução de um seringal que existiu em Humaitá (munícípio do Amazonas - distância 590km) próximo ao Rio Madeira. Ele tem o objetivo de contar como era a vida do seringueiro e como vivia o dono do seringal - o seringalista, conhecido também como Coronel de Barranco. Ele se localiza na boca do Igarapé São João, afluente do igarapé Tarumã-Mirin, margem esquerda do Rio Negro. Esse complexo serviu de cenário para o filme "A Selva", co-produção luso-brasileira, do Diretor português Leonel Vieira, onde conta a história de Alberto (Diogo Morgado), um jovem português monárquico que, exilado no Brasil, consegue um emprego no seringal e se apaixona pela mulher do patrão, D. Yayá vivida por Maitê Proença. Ao final da postagem veja cenas do filme, AVISO: só se você for maior de 18 anos tá?!.






Ao desembarcar já vemos o Casarão do seringalista; lá dentro tudo foi mobiliado com móveis da época que retratam o modo de viver na Amazonia no início do séuclo XX. Depois de conhecermos a Grande Casa, passamos por uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, onde a familia do seringalista fazia suas orações. Logo em seguida vamos ao Barracão de Aviamento que era o local onde os seringueiros compravam tudo o que precisavam para o seu trabalho e a sua estadia, inclusive tecidos para roupas. Tudo era posto em uma conta, e acabavam por se tornar devedores do dono do seringal. O ajuste de conta seria feito ao final do trabalho do seringueiro, momento em que entregavam as pelas de borracha.
Vemos também o local onde se banhava a mulher do patrão . Logo em seguida, seguimos por uma trilha no meio da mata, onde vamos descobrir finalmente como era tirado o látex da seringueira - muito, muito instrutivo e interessante. Os seringueiros colocavam latinhas nas seringueiras e depois de cheias saiam recolhendo-as. Com o látex coagulado, faziam uma defumação do líquido formando as bolas de borrachas.



Eles tinham uma jornada de mais de 14 horas de trabalho. Os seringueiros tinham uma vida sacrificada, acordavam de madrugada, dormiam mal, custeavam seu próprio material de trabalho e para quê? Para ganharem não tanto quanto mereciam, embora o fruto de seu trabalho ser o responsável do enriquecmento de muita gente... grandes fortunas foram feitas naquela época. Bem, voltando ao ritmo de vida do seringueiro, o Capitão de Barranco mandava buscar mulheres para alegrá-los, que tal?!!!!












E se eles lá morriam, lá eram enterrados. Também nos mostram como era feita a farinha de mandioca. Infelizmente lá não há nada para comer. É um lugar bem natural, bem simples, mas devo registrar que o banheiro se apresenta bem melhor em termos de limpeza que muitos shoppings que visitei.
Mais abaixo você pode conferir o vídeo do barco chegando no Seringal, veja que beleza de passeio!
Também tem um vídeo demonstrando um artifício que os seringueiros utilizavam para se sentirem menos fedorentos. É passando a mão na casa das formigas que elas faziam nos galhos das árvores, o perfume só você indo lá para sentir, doce, cheiro de flores, indescritível!


Veja ao final da postagem o vídeo em que um antigo seringueiro demonstra como se tirava o látex da seringueira. Também tem um vídeo que mostra parte do passeio de barco. Show de bola!!!
Informações práticas. Lá o celular não funciona. Você chega de canoa ou barco pequeno como queira chamar..., o detalhe é que só quem sabe que você está lá é quem te leva. Quando você desembarca o rapaz do barco diz: voltarei para buscar vocês em 1h/ 1h30. Bem, é realmente tempo suficiente para se ver o que há por lá. Mas me pergunto: e se algo no caminho acontece aquele cidadão? Ninguém voltaria para nos buscar! Teríamos que ficar na beira do rio esperando que um outro barco por lá passasse, ou rezar para que outros visitantes chegassem. Quando eu fui éramos apenas 3 pessoas comigo, e quando o barco veio nos buscar ninguém veio para o museu, já que funciona até as 16h e nós fomos às 14h. Bem arriscado não? Já pensou passar a noite por lá? Bem tem a cama do Capitão de Barranco.... só não tem o Alberto!!

O barco vem parando em vários lugares, e o seringal era o último destino, ou seja o Seringal é ponto final. Como chegar: ir para a Marina do Davi na Ponta Negra. Lá chegando você desce as escadas até a beira do rio, lá tem vários barcos que saem sempre quando um barco enche e vão apenas aos lugares dos destinos das pessoas que lá estão. Você tem que dizer aonde quer ir. R$ 12,00 (ida e volta) é o preço da passagem e a duração da viagem é cerca de 20 minutos. O ingresso no museu é de R$5,00, estudante R$2,50 Abertura: de quarta a domingo, das 8hs às 16hs.
Exibir mapa ampliado















































quinta-feira, 25 de junho de 2009

Teatro Amazonas - Para não dizer que não falei das flores - Parte 2

O Teatro Amazonas, Patrimônio Histórico, é um dos lugares emblemáticos de Manaus. Sua construção, ocorrida nos aureos tempos durante o ciclo da borracha teve inicio em 1881, e por conta de dificuldades em relação a seu projeto levou 14 anos para a sua conclusão, em 1896 deu-se o seu término.





Para sentirmos o esplendor dessa obra, basta voltarmos ao passado, ao momento de sua construção, onde Manaus era uma pequena província, e nessa época, habitada também por inlgeses, grandes empresários, pois afinal descobriram a "hevea brasiliensis" - nossa famosa seringueira, que até então tinha o seu lugar quieto dentro da selva amazônica... nunca mais foi esquecida!

O negócio era alimentar a indústria de automóveis - e foi assim que o enriquecimento dessa região se deu.
Com o dinheiro correndo solto....o luxo se fez presente em uma majestosa criação... sim criação, pois o Teatro Amazonas, venhamos e convenhamos - É UMA OBRA DE ARTE! ARTE PARA ARTE!


Então imaginem: no meio da selva, aquele imponente teatro se ergueu, com tudo o que de mais moderno e luxuoso na Europa havia; símbolo da riqueza e da beleza para a poderosa sociedade que queria que a cultura européia também aqui marcasse presença. Assistir à ópera na selva! Que maravilha! Que abertura para um banho de cultura tão esperado! Ora! Era a BELLE ÉPOQUE!!!
O viajante que chegava, naquela época, ao Porto de Manaus, já de longe avistava o majestoso Teatro Amazonas, lá em cima.... na parte alta....que beleza! A civilização no meio da selva!
O indío se admirou, o caboco adorou e dessa forma passamos de geração em geração o orgulho do trabalho daquela gente, daquela raça, e dos grandes artistas que mostraram a que vieram!
Bem, a alta sociedade presenciou em 31 de dezembro de 1896 a inauguração do Teatro com a ópera "La Gioconda" de Amilcare Ponchielli, sob a regência do maestro brasileiro Joaquim de Carvalho Franco. Os que não puderam entrar no teatro se deleitaram apenas com a visão das chegadas das grandes autoridades com as suas esposas ricamente vestidas.

A Cúpula do teatro é composta de 36 mil peças de escamas de cerâmica esmaltada e telhas vitrificadas importadas da Alsácia que fazem harmoniosamente referência à Bandeira Brasileira. Custou duzentos contos de réis. O trabalho foi executado por técnicos franceses, a pintura foi feita por Lourenço Machado.

Um dos grandes pontos de visita é o Salão Nobre, no qual a pintura do teto foi totalmente elaborada pelo artista italiano Domenico De Angelis e seu colega de Academia Giovanni Capranesi, tendo como tema a Glorificação das Artes no Amazonas. Para quem olha tem a impressão de que o personagem principal da pintura esta olhando para você, seja em qualquer local que você esteja - impressionante!


De Angelis e Capranesi foram contratados por meio de Crispim do Amaral (pintor, músico, cenógrafo, desenhista e decorador pernambucano) que ficou responsável pela decoração do teatro.



O Teatro possui 3 andares e 701 lugares com 250 poltronas e 450 camarotes com tecidos em veludo vermelho.Em frente aos camarotes nobres há máscaras da tragédia grega.

Conselho para quem um dia for assistir a uma ópera alí: se não ficar no camarote, nas poltronas só é bom da 5ª para trás, porque nas da frente você fica com o pescoço doendo tentando acompanhar a legenda da ópera no visor que fica lá em cima do palco.

O pano de boca foi pintado por Crismpim do Amaral e representa o Encontro das Águas onde mostra Yara e os deuses que representam o rio. Com uma tecnologia apropriada, o pano sobe verticalmente.
Na sala de Espetáculos, podemos ver quatro telas que foram pintadas em Paris pela Casa Carpezot, no estilo neoclássico, onde são retratas alegorias à música, dança, tragédia e uma homenagem ao grande compositor brasileiro Carlos Gomes. Em seu centro há um lustre dourado com cristais que foram importados de Veneza - Murano. Este desce até em baixo para limpeza.

Também há pinturas no Salão Nobre. Encontramos algumas telas que foram pintadas por Capranesi, em seu ateliê em Roma, como "O GUARANY", a maior das pinturas alí existentes. Retrata Peri salvando Ceci do incêndio, personagens da obra literaria de José de Alencar - O Guarany.















Bem como o material do interior que foi trazido da Europa, a parte externa não poderia ter sido diferente. O Calçamento foi feito com pedra de Liós, um material que veio de Portugal.

Nesta foto se vê ao fundo a Igreja de São Sebastião (construída em 1888).
Todo esse calçamento foi revestido com espessas mantas de borrcha para evitar o som das carrugens no solo.




Em frente ao Teatro Amazonas e também de frente para a igreja São Sebastião você tem a Praça São Sebastião, é claro. Nela encontramos o monumento em homenagem à abertura dos portos às Nações amigas.

O Teatro Amazonas, atualmente está mais movimentado.
Todo ano, nos meses de Abril se dá o Festival de Ópera no Amazonas, vale à pena conferir.

VISITAÇÃO:
Abertura: segunda à sábado. Possui visitas guiadas.
Horário: 9h às 17h.
Entrada: R$10,oo
Endereço: No Largo de São Sebastião.
Telefone: (92) 3622-1880/3232-1768



FOTOS DA AMIGA ANA PAULA EM VISITA AO TEATRO
(estava acontecendo um ensaio)